Cicatrizes da cidade
Artista: Levi
Instagram: @levistudioUnreal
WhatsApp: (47) 99208-5416
Material de suporte da obra:
Acrílica sobre tela.
Altura 54 cm x Largura 70 cm.
Ano da obra: 2025
Peça única, 1 de 1.
Local atual da obra: Tres barras - SC
O artista recebe pagamentos por: PIX
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Envio aproximado em até 5 dias úteis.
Envio por conta do comprador.
Descrição da obra pela artista:
Essa pintura é um feitiço de despedida, um ritual silencioso para um passado que nunca mais poderei habitar. Cada elemento carrega um fragmento daquilo que já não sou, daquilo que se dissolveu no tempo e no fogo. A serpente azul desliza pelo centro da composição, como um rio que corta a paisagem da memória. Azul como o céu ao anoitecer, azul como a quietude que vem depois da tempestade. Ela troca de pele e segue em frente, indiferente ao que fica para trás. Assim como ela, precisei abandonar uma versão antiga de mim para continuar existindo. As pequenas casas espalhadas pela pintura não são lares, são ecos. Elas flutuam, sem alicerces, porque nunca foram um porto seguro, apenas lembranças frágeis que o tempo carrega com facilidade. Já a casa em chamas, esta sim é definitiva. O fogo não destrói apenas madeira e tijolos, mas tudo o que um dia prendeu meus pés ao passado. É um incêndio que não pede socorro, que queima sem medo, porque sabe que das cinzas nasce a liberdade. As bolas de fogo espalham-se pelo cenário como brasas vivas de tudo o que um dia foi dor, consumidas pelo tempo. Elas não caem, não pesam, apenas existem, dançando entre o que foi e o que será. São lembranças que já não machucam, apenas brilham no escuro antes de desaparecer. Os símbolos urbanos—postes, fios, traços vermelhos que se entrelaçam—são as amarras invisíveis que um dia me seguraram ali. Mas agora eles se distorcem, perdem a forma, dissolvem-se na paisagem como se a cidade estivesse se desfazendo atrás de mim. Não posso voltar. Não porque não quero, mas porque não há mais caminho. O que ficou para trás é irreal, distante, como um sonho do qual despertei. O que existe agora é o movimento, a pele nova, o horizonte que nunca pertencerá àquele lugar.

